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segunda-feira, 12 de março de 2018

Major Tom e filmes espaciais


Nesse fim de semana eu assisti ao filme Lunar. Ele é de 2009, mas não me importei na época do lançamento porque ainda não era tão ligado à ficção científica. Na história, um astronauta interpretado por Sam Rockwell está no espaço, prestes a concluir uma missão de 3 anos na Lua.

São perceptíveis algumas influências nesse filme. A mais nítida é a de 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968) - é impossível não comparar o computador GERTY de Lunar ao computador HAL 9000. Também consigo enxergar nele algo de Solaris, filme soviético de 1972 (considerado a resposta dos russos ao sucesso de 2001, ou o anti-2001), baseado no livro de Stanislaw Lem - que aliás tem um dos meus trechos preferidos - no que se refere à sanidade mental do personagem e suas possíveis alucinações.


Mas sem dúvida não dá pra assistir à Lunar sem pensar em Space Oddity do David Bowie, afinal de contas o filme foi dirigido por ninguém menos que o seu filho, Duncan Jones. Música que, por sua vez, também foi inspirada em 2001 e nos apresentou o Major Tom, personagem que não se limitou ao seu criador e também foi citado em músicas do Peter Schilling e da Lana Del Rey.

Os homens do espaço sentem falta de suas esposas e querem que elas saibam que as amam. O planeta Terra é azul - e não há nada que possam fazer.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Marte - na Astronomia e na Ficção Científica

Na mitologia romana, "Marte" era o Deus da guerra e da carnificina e esse nome foi escolhido para o planeta devido à sua coloração vermelha derivada do ferro oxidado. Vermelho não é a única cor de Marte: há tons de dourado, bege e marrom por conta dos minerais.

Em Marte, o céu é amarelo quando o Sol nasce e rosa quando se põe. As estações do ano são bem definidas e há duas Luas: Demos e Fobos. Há quem diga que Fobos é um satélite artificial criado por uma civilização extraterrestre antiga e que vai se desintegrar e tornar um anel em torno de Marte daqui a milhões de anos.

O solo de Marte é cheio de crateras devido a quedas de asteroides e a sua maior montanha - o Monte Olimpo - é 3 vezes mais alta que o Monte Everest terrestre, com 27 km de altura, sendo na verdade um vulcão fora de atividade.

Se a humanidade tivesse se desenvolvido em Marte, todos teríamos pelos no corpo todo para suportar os invernos rigorosos e haveria poucas diferenças étnicas, assim como haveria pouca biodiversidade em um modo geral. Agencias espaciais terrestres já enviaram algumas IA's ao planeta, como o robô Sojourner, que ficou em atividade de 1997 a 2006 e a sonda Opportunity, que chegou lá em 2004, desafiou a morte e ainda está lá. Um dos desafios na exploração do planeta seria a sanidade mental dos astronautas: a radiação cósmica pode levá-los à demência no trajeto.

O deserto do Atacama, no Chile, é considerado o lugar terrestre com características mais próximas às de Marte.


Marte na Música

Já foi homenageada por David Bowie em Life on Mars (1971).

Marte na Ficção Científica

O livro "As Crônicas Marcianas" foi escrito por Ray Bradbury no final dos anos 40 e é uma coletânea de contos sobre expedições à Marte. Chamam atenção o potencial de destruição dos exploradores no planeta vermelho e seus encontros com pessoas mortas em muitas das histórias.

Já em "Os Três Estigmas de Palmer Eldritch", de 1964, o profético Philip K. Dick descreve a colonização de Marte impulsionada pelo superaquecimento terrestre e o uso de alucinógenos pelos colonos para sobreviver ao tédio. O slogan do traficante Palmer Eldritch para suas drogas é: "Deus promete a vida eterna; nós cumprimos essa promessa".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Querido David


Na minha adolescência, a sua música chegou a mim na voz de outros caras: "The Man Who Sold The World" na do Kurt Cobain e "Heroes" na do Jacob Dylan, filho do seu amigo Bob. Lembro de ter ouvido "I'm Afraid of Americans" em 'Showgirls' e "Heroes" em 'Eu, Christiane F'. De ver o clipe maravilhoso e melancólico de "Thursday's Child" na MTV e o musical "Velvet Goldmine" inspirado na sua vida.

Mas foi em 2015 que você deixou de ser um mero conhecido pra se tornar um marco na minha vida. Meus melhores amigos me deram um livro sobre você, que eu devorei como se fosse uma Bíblia. O livro era sobre o processo criativo dos seus discos nos anos 70. Eu fiquei fascinado com o seu personagem Ziggy Stardust, o rock star andrógino e alienígena.

Descobri que tinhamos vários interesses em comum como astronomia, ufologia e paganismo. Descobri que o seu irmão era esquizofrênico e se matou. E que você disse as palavras do replicante Roy de Blade Runner para homenageá-lo: 'tears in the rain'.

Você tinha medo de um dia enlouquecer. Eu entendo isso. Eu também tenho. Apesar de sempre ouvir dos outros o quanto eu sou "calmo", eu sei o quanto há uma linha tênue entre a sensatez e a insanidade dentro de mim.

Muito antes de eu nascer, você rejeitou a hipermasculinidade imposta pela sociedade. Essa mesma que eu nunca tive. E se hoje, eu me sinto bem sem ela, é graças a pessoas corajosas como você. 

Você ficou lindo vestido de mulher em "Boys Keep Swinging". Você mudou tanto durante a sua vida. "Changes". Mudanças emocionais, de estilo de vida e de música. Mutações enquanto manifesto. Eu li "1984" do George Orwell por sua causa, por você tê-lo referenciado tanto no disco "Diamond Dogs" e foi um dos melhores livros que eu já li na vida.

"Space Oddity", "Life on Mars" e "Loving The Alien" me fazem sonhar com o espaço e a vida fora da Terra. Toda vez que eu ouço "Young Americans" eu sorrio. "Heroes" me conforta e me dá confiança. "Survive" e "Seven" me comovem. Eu ouço cada segundo dos 9:35 de "Cygnet Committee" e reflito sobre cada palavra cantada nela. Dá pra fazer as pazes quando a estrada chega ao fim? Assim como você diz no fim dessa música: eu quero acreditar! E eu quero viver!

Obrigado por cada música maravilhosa que você escreveu. Obrigado por me inspirar. Obrigado por ter feito mais que existir nesse mundo: você fez a diferença nele. E eu amo você, David.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Velvet Goldmine (1998)


Começo dos anos 70. Brian Slade (Jonathan Rhys Meyers), a maior estrela do glam rock no Reino Unido, polêmico pelo comportamento rebelde e pela bissexualidade, simula o próprio assassinato no palco. Uma década depois, o jornalista Arthur Stuart (Christian Bale) é designado a fazer uma matéria sobre a tal farsa e buscar informações sobre o seu paradeiro. Enquanto investiga a história de Brian, Arthur revisita o próprio passado e o impacto causado em sua vida por suas músicas, seu visual andrógino e sua provocativa parceria com o roqueiro americano Curt Wild (Ewan McGregor).

Eu assisti a esse filme pela primeira vez em 2001 e lembro de ter ficado encantador por Ewan McGregor, que eu veria pouco tempo depois em outro musical: Moulin Rouge! Segundo consta, Brian Slade foi baseado em David Bowie e Curt Wild foi inspirado em Iggy Pop e Lou Reed, embora eu (e muita gente) veja muito de Kurt Cobain nesse personagem - além do nome, teve momentos em que achei a semelhança entre Ewan e Cobain assustadora - embora o diretor Todd Haynes tenha afirmado que nenhuma referência ao líder do Nirvana tenha sido intencionalmente colocada.


Quando a história de Curt foi contada, uma das cenas que mais me marcou foi a terapia de choque a que ele foi submetido pelos pais para "curar" seus desvios sexuais na adolescência. Também foi marcante o flashback do jovem Arthur sendo flagrado pelos pais se masturbando vendo uma foto de Brian e Curt e ouvindo suas músicas: "Você traz vergonha a essa casa!".


A influência do comportamento de Brian e Curt em Arthur e em uma geração cansada de repressão e em busca por liberdade, os rastros de destruição e solidão que Curt deixou em Brian e Brian deixou na esposa Mandy (Toni Collette) com seus respectivos abandonos, o brilho nos olhos de Arthur a cada vez em que ele se aproximava da verdade sobre Brian, as referências ao escritor homossexual do século XIX Oscar Wilde no primeiro e último ato... tudo nesse filme é bonito demais. A história, os atores, as roupas, as músicas. Não é simplesmente um filme, é uma obra prima. Um filme pra ver e ouvir!