terça-feira, 10 de setembro de 2019

Madonna, Andy Warhol, nudez e não ter vergonha.

Madonna chegou em Nova York no final da década de 70 sem um tostão e uma das coisas que fez pra sobreviver foi posar nua para estudantes de arte. Em 1985, quando não era mais anônima, essas fotos de 1979 vieram a público. 

Mesmo estando no começo da carreira e querendo publicidade e atenção, ela se sentiu invadida. Entretanto, questionada pelo NY Post, sua resposta foi: "I'm not ashamed!" ("Não me envergonho!"). Os artistas Andy Warhol e Keith Haring grafitaram em cima da manchete e a transformaram em um quadro.

Muito pode ser aprendido com esse episódio. A vida é feita de escolhas e oportunidades. Assumi-las de cabeça erguida é o que deve ser feito. Mentes brilhantes se reconhecem. Warhol transformou a "falta de vergonha" de Madonna em arte. E eu faço dessa história uma inspiração pra todo e qualquer momento em que eu percebo que não me sinto suficientemente orgulhoso de mim mesmo. I'm not ashamed!




sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Carta de amor à Madonna

Madonna é uma pessoa. E como tal, cheia de características brilhantes e falhas. Tem coisas nela que eu amo, outras que odeio. Algumas de suas escolhas eu abomino. Quando ela me surpreende... ela costuma acertar em cheio.

Mas Madonna é mais que uma pessoa. É uma instituição. É um estilo de vida. É a coragem sobressaindo os medos. É não-conformismo. É não aceitar simplesmente "não" como resposta. Madonna é disciplina e autocontrole. Arrisco dizer que ela ajudou a formar meu caráter e incentiva até hoje alguns hábitos pessoais meus, como fazer yôga, me exercitar, me alimentar direito e beber pouco. Madonna é determinação e busca pela perfeição no que se propõe, mesmo que pague um preço alto e as críticas - e até mesmo os fracassos - venham. 

Madonna é mais que a luta contra o preconceito, é fazer algo a respeito disso. Madonna foi informação num mundo de analfabetos funcionais, um mundo no qual pais e autoridades governamentais nunca foram capazes de prover educação sexual efetiva. Madonna foi a ousadia em alertar sobre prevenção do HIV e sexo seguro no encarte do seu disco de 1989 e em discutir livremente interesses sexuais em um livro lançado em 1992.

Madonna é colocar sal nas feridas abertas pela Igreja. Aquela que entra numa paróquia com um vestido decotado e beija a imagem de um santo negro. Madonna não é a cantora mais potente, a melhor dançarina ou a mulher mais bonita, mas é alguém que usa a própria arte para que as pessoas reflitam e que faz todos prestarem atenção no que ela fala e faz.

Talvez Madonna não seja uma pessoa no final das contas. Talvez Madonna seja um estado de espírito.


terça-feira, 7 de maio de 2019

5 Curiosidades sobre a Terra e o Espaço

1) A temperatura no centro da Terra é de 5000 ºC e, embora não seja um ímã, produz um campo magnético.
O núcleo terrestre é líquido e composto por ferro (90%) e níquel.


2) A primeira ficção sobre uma viagem do homem à Lua foi escrita em 165 d.C.
Para Darwin, a Lua e a Terra constituíam um único corpo espacial que se separou.
99,5% de uma viagem da Terra à Lua é feita à vácuo.


3) A temperatura na superfície de Vênus é de cerca de 450 ºC, mas suas nuvens são bem mais frias (-20 ºC) e compostas essencialmente de ácido sulfúrico.
Como muitos organismos terrestres são capazes de viver em condições ácidas, se alimentar de CO2 e produzir ácido sulfúrico, alguns cientistas não descartam a possibilidade de haver vida nas nuvens venusianas.


4) Júpiter é um planeta gasoso que protege a Terra dos asteroides (que são restos de planetas que explodiram) através da sua atração gravitacional.


5) Mercúrio e Vênus não tem luas; Marte tem dois satélites e Saturno tem mais de 50 luas.


Fonte: Isaac Asimov - 111 questões sobre a Terra e o Espaço; Salvador Nogueira - Extraterrestres.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Por que ler Isaac Asimov, o pai dos robôs?


Isaac Asimov nasceu na Rússia em 1920, mas foi criado e viveu nos Estados Unidos. Já graduado em Bioquímica, começou a escrever ficção científica e é considerado um dos grandes nomes da chamada Era Dourada do gênero.

Tendo os robôs como protagonistas de várias histórias, Asimov criou as 3 leis da Robótica na ficção:
1) Um robô não pode ferir um ser humano, ou por inação, permitir que um ser humano sofre algum mal
2) Um robô deve obedecer incondicionalmente um ser humano, exceto quando tais ordens entrem em conflito com a primeira lei
3) Um robô deve proteger a própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e segunda leis.

Rompendo com o complexo de Frankenstein, seus robôs não eram criaturas hostis que se voltavam contra os criadores. Muitas histórias eram até leves e divertidas, as melhores delas reunidas no livro de contos "Eu, Robô", embora a melhor delas na minha opinião, "O Homem Bicentenário", tenha ficado de fora dessa coletânea.

Eu, como boa cria de Philip K. Dick, estranhei um pouco sua escrita maniqueísta, sem os personagens piradões, alucinações, psicoses, drogas e exegeses característicos das obras do Philip. Minha primeira leitura foi "O Fim da Eternidade", que trata da possibilidade de viajar no tempo como se anos e séculos fossem lugares e das consequências futuras de se mexer no passado, tendo sido inspiração óbvia para filmes como Efeito Borboleta e o episódio San Junipero de Black Mirror.

Não gosto tanto dos livros do Asimov como gosto dos contos. Li recentemente "Juventude e outros contos", com foco em alienígenas e achei fantástico.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Aldous Huxley: histeria, alienação e barbárie

1952. Em "Os demônios de Loudon", Aldous Huxley se mostra um excelente contador de histórias e adverte sobre a alienação obtida pela 'união' de pessoas em prol de organizações políticas: libertos de consciência, não há humanidade ou responsabilidade sobre julgamentos. Nesse cenário, uma multidão é equivalente a um câncer.

Para aliviar o sentimento de culpa, os sádicos sempre encontram justificativas para o seu divertimento:
- A brutalidade com crianças é racionalizada como 'disciplina'.
- A barbárie com infratores é conseqüência do imperativo categórico.
- A violência contra 'hereges' políticos e religiosos é um ato em benefício da 'verdadeira fé'.
- Para a brutalidade com raças, já foram usados argumentos científicos.
- Quanto aos loucos? 'São culpados de sua própria loucura, ou seja, merecem a brutalidade'.

1959. Em "A Situação Humana", Huxley reconhece a co-dependência entre fatores ambientais e hereditários. Se queremos ser 'eugenistas' de alguma forma, também devemos ser reformadores sociais: de que adianta uma raça humana magnífica sem condições para que suas qualidades se desenvolvam?

1931. O protagonista de “Admirável Mundo Novo” (seu livro mais famoso) escolhe o desconforto. Em suma, ele reclama o direito de ser infeliz. De estar sujeito a adoecer, passar dificuldades, ficar apreensivo pelo futuro e suscetível a todo tipo de dor física ou emocional, sem nenhum tipo de imunidade ou anestesia.

1961. O autor escreve a antítese de sua maior obra. Em “A Ilha”, o protagonista opta pelo amortecimento das emoções. Por estar menos consciente da realidade do mundo e dos horrores que o cercam, das próprias dores e rejeita o chavão bíblico “Perdoa-lhes. Eles não sabem o que fazem”. Ele sabe muito bem o que está fazendo. Todos sabem.

2018. Cada um desses livros que eu li nos últimos anos foi um tapa na cara. Um não, vários. Como um autor falecido há 55 amos pode ser tão atual e urgente? Seus livros são verdadeiros tratados sobre a situação e a psicologia humana (inclusive com várias críticas ferrenhas a Freud e Jung), as causas e consequências das autossugestões, catarses, pulsões de morte, alienação e (ir)responsabilidade social dos indivíduos quando parte de um coletivo.

Pensamos que somos algo único e maravilhoso no centro do universo. Mas na verdade somos apenas um leve atraso na infinita marcha da entropia”.
Não adianta, a raça humana é uma falha. Nós somos uma falha do universo.
Verdades... valores... espiritualidade genuína... petróleo”.
Bem vindos ao progresso e à vida moderna.


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

"A Arma e outros contos" de Philip K. Dick.

Lançado pela L-Dopa Publicações, "A Arma e outros contos" reúne sete contos menos conhecidos do autor Philip K. Dick em sua fase inicial, fortemente influenciado pelo Pós-Guerra e a Guerra Fria.

"A caveira" abre o livro com uma história de viagem no tempo em que a guerra é tratada como um método de seleção natural. "A cripta de cristal" surpreende com uma forma de terrorismo inusitada. "A arma", apesar de constar no título do livro, é o conto que considero menos interessante, tratando de uma arma de guerra que toma decisões autonomamente, sem um operador.

Os dois contos seguintes parecem se aproximar mais daquilo a que seus leitores estão acostumados: o mundo das pseudo-realidades e das perturbações psicológicas. Em "Ali jaz o wub", uma espécie animal alienígena negocia o próprio abate com seus caçadores e em "O flautista na selva", homens sadios passam a acreditar que se tornaram plantas e agir como tal. 

"Sr. Espaçonave" é um dos mais filosóficos. Um cérebro humano é transplantado em uma máquina espacial sem que se tenha certeza da permanência das faculdades mentais individuais e de que modo as entidades corpo/mente funcionam em conjunto e/ou separadamente, além de discutir a violência como hábito ou instinto.

"Os defensores" fecha o livro com uma referência à alegoria da caverna de Platão ao mostrar a humanidade amedrontada pela guerra vivendo no subsolo da Terra e acreditando nas notas enviadas pelos robôs que habitam a superfície. Esse conto surpreende por parecer mais algo do Isaac Asimov do que do próprio Philip, com os robôs da história rompendo com o Complexo de Frankenstein.


quinta-feira, 26 de julho de 2018

Por que ler Philip K. Dick?


Philip K. Dick foi um escritor americano de ficção científica, nascido em 1928. Suas histórias, inconvencionais até mesmo para o gênero, focavam sempre em realidades distorcidas. Foi muito influenciado por Aldous Huxley, suas próprias experiências com drogas, estudos sobre Psicologia e, principalmente, por sua crença de que não vivemos em um mundo real, mas em uma realidade simulada por computador, ou seja, uma matrix. A quantidade de adaptações para cinema e TV de seus livros e contos é espantosa, só para citar algumas: Minority Report, O Vingador do Futuro, O Homem Duplo, O Homem do Castelo Alto e, claro, Blade Runner.

Na juventude, Philip foi submetido a um teste psicométrico e o resultado surpreendeu: suas respostas em conjunto não seguiam absolutamente nenhum padrão. Era como se a sua personalidade fosse raríssima ou até mesmo exclusiva. Com esse perfil único, sua sanidade mental era discutível, e sua inteligência e criatividade inegáveis. Em vida, foi premiado algumas vezes, mas sua genialidade levaria tempo para ter o devido reconhecimento. Blade Runner chegou ao cinema em 1982, ano de sua morte, e desde então até os dias de hoje, produtores fazem fila para adaptar suas histórias.

Não espere maniqueísmo em seus livros: bem e mal não são claramente definidos e seus protagonistas não são heróis. Espere mais perguntas do que respostas, a maioria delas começando com "E se... ?". E se você não soubesse se está vivo ou morto? Se é uma pessoa ou um andróide? E se pudesse implantar memórias falsas? E se tivesse uma vida dupla? E se sobrevivesse num mundo psicótico a base de alucinógenos? E se acordasse um dia e ninguém lembrasse quem você é? Como seria o mundo se a Alemanha e o Japão tivessem vencido a Segunda Guerra? Espere histórias ágeis, caóticas e bem construídas no futuro (o nosso presente) como ele imaginava que seria.

O professor de ciências políticas Henry Farrell foi categórico: "Não é no futuro de George Orwell ou Aldous Huxley em que estamos vivendo. Não estamos aprendendo a amar o Big Brother ou tomando o soma para preservar as hierarquias sociais. É no mundo de Philip K. Dick: o das pseudo-realidades. As pessoas hoje não são melhores em detectar inteligências artificiais do que seus personagens. No twitter muitos interagem com bots, inclusive o presidente dos Estados Unidos retuitou uma mensagem elogiosa de um bot conectado a uma outra rede de bots. Essa falsidade generalizada, combinada com política fragmentada e fake news, pode ser explosiva".

Coincidentemente (ou não), houve sincronias entre seus livros e os momentos da minha vida enquanto eu lia pelo menos quatro vezes, com Fluam, Minhas lágrimas, Disse o Policial; Um Reflexo na Escuridão (ou O Homem Duplo); Os Três Estigmas de Palmer Eldritch (esse aliás era um dos livros preferidos do John Lennon) e Clãs da Lua Alfa.  No Brasil, a maioria dos livros disponíveis de Philip foram lançados pela Editora Aleph. E essa é a minha coleção. <3


Nós estamos vivos e Philip está morto? Ou seria o contrário?